|
Na História
Barreira do som
Autor: Jaqueline Pedreira
Em 1983, enquanto as equipes de ponta da Fórmula 1 se esforçavam para atingir 300 km/h, o inglês Richard Noble alcançava a incrível marca de 1.019.25 km/h a bordo do Thrust2, uma espécie de carro-foguete. Apesar do enorme feito, ainda restava uma barreira: a do som »»»
Rasgando a aridez do deserto de Black Rock, 200 milhas ao norte de Reno, Nevada (EUA), o inglês escreveu seu nome na história quebrando o recorde mundial de velocidade em solo. Mas, apesar do enorme feito, uma barreira ainda precisava ser superada: a barreira do som.
Ainda faltavam algumas centenas de quilômetros para que Nobel atingisse o "número mágico" e se tornasse o primeiro homem do planeta a ultrapassar a velocidade do som a bordo de um veículo terrestre. Um caminho longo e desconhecido...
As forças físicas (aerodinâmicas), que atuam sobre um corpo a qualquer velocidade abaixo da velocidade do som, são muito conhecidas por projetistas de automóveis de alta performance. Porém, acima da barreira, as regras são outras. O conhecimento de aerodinâmica supersônica até então só era aplicado a aeronaves em altas altitudes e, para enfrentar um desafio desses em terra, era necessário prever como um veículo se comportaria acima desta velocidade.
Uma tarefa que, além de muitos cérebros brilhantes, precisaria de muito dinheiro. Nobel então resolveu adiar seus sonhos e partiu para a construção de barcos de alta performance, que tentariam quebrar recordes em travessias transatlânticas.
A motivação necessária
Tudo estava indo bem até que, em 1990, o limite da barreira do som voltou a perseguir o piloto: Nobel descobriu que o americano Craig Breedlove, um dos mais famosos recordistas do mundo, havia adquirido duas turbinas GE J-79 e pretendia tentar o recorde de velocidade. A notícia reacendeu os sonhos e Nobel partiu para o desafio.
Dois anos se passaram até que Nobel conseguisse encontrar o homem perfeito que, junto com ele, seria responsável pelo design do carro. Ron Ayers, um projetista aerodinâmico, há anos se empenhava em pesquisar e criticar o design dos carros que tentavam quebrar recordes de velocidade. Ayers tinha os conceitos e idéias em mente, só precisava de alguém que compartilhasse sua paixão pelo desafio às leis da física. Em 1992, ele ficou frente a frente com esse homem. Começava naquele instante um dos capítulos mais incríveis da história das conquistas humanas.
|