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Sua história

Nos desertos africanos
Autor: João Carlos Nogueira


Uma viagem pelos desertos africanos a bordo de um Land Rover »»»

Novembro de 1998. Após 12 dias a bordo de um navio cargueiro full-container, o Norsul Ipanema, no qual viveram as agruras da travessia do Oceano Atlântico Sul, o Land Rover e os membros da equipe da Expedição Norsul África 98 desembarcaram em Cidade do Cabo – ponto de partida para um desafio ainda maior, a primeira incursão ao deserto de Kalahari.

Debaixo de um calor de mais de 40° C, a expedição penetrou nas dunas vermelhas da extremidade sul do Kalahari, em direção à fronteira de três países: África do Sul, Namíbia e Botswana – local conhecido pelo nome de Union’s End. Lá, os primeiros contatos com os habitantes nativos do Kalahari, os bosquímanos (bushmen), foram estabelecidos com cordialidade e respeito.

Em seguida, a equipe dirigiu-se para o deserto de Namib – que dá o nome ao país, Namíbia – um extenso "mar de dunas" que possui cerca de 2.000 km de comprimento (de Norte a Sul) e aproximadamente 200 km de largura (de Oeste para Leste).

Tendo como fronteiras naturais as águas geladas da Corrente de Benguela, no Atlântico Sul, em sua extremidade litorânea, e um maciço de chapadas escarpadas em sua extremidade interior, o Namib é um dos desertos mais secos do mundo e também um mais antigos (cerca de 80 milhões de anos).

Suas dunas possuem tamanho descomunal (300 metros de altura) e sua areia apresenta tons púrpuros em sua região central (o "coração" do deserto – as dunas de Sossusvlei).

Tais dunas representaram um dos principais desafios para a expedição, não só em função de seu tamanho, mas sobretudo em conseqüência de seus acentuados graus de inclinação. Tendo em vista o peso do Land Rover (extremamente carregado com equipamentos e víveres e, por isso, freqüentemente reduzido na caixa de transferência), muitas dessas dunas tornaram-se obstáculos intransponíveis, o que obrigou a expedição a contorná-las pela areia fofa de suas bases. Para tal árdua tarefa, o uso do GPS tornou-se mais do que fundamental, pois a ausência de referências no deserto era absoluta.

Perigo: Ondas do Oceano
Combustível e água foram estocados com o máximo de cautela no veículo e no "reboque off-road" (especialmente construído para a empreitada) e, desta forma, a expedição foi capaz de realizar longas incursões às profundezas do Namib, nas quais dias e dias se passaram sem que um único traço de civilização fosse avistado. Numa dessas incursões, a expedição vivenciou um dos principais perigos de toda a viagem, quando, na faixa litorânea do deserto, as violentas ondas da maré que então subia quase arrastou o Land Rover para dentro do oceano. Espremido entre um enorme cinturão de imensas dunas e o mar que para elas avançava, o Defender foi exigido além de seus limites para que pudesse subir verdadeiras montanhas de areia, na tentativa de não ser irremediavelmente perdido pela fúria do mar. Com êxito, após algumas tensas tentativas malsucedidas, o veículo conseguiu abrir o seu caminho, apesar das ondas que batiam em sua lateral e da areia molhada que dificultava o seu desempenho, subindo finalmente as dunas e deixando que os seus tripulantes vislumbrassem, aliviados, o encontro do deserto com o Atlântico Sul.

Uma imagem belíssima, porém desoladora.

Assim sendo, a travessia do deserto foi concluída na temível "Costa dos esqueletos"(que possui tal nome por ser pontilhada de naufrágios de navios e esqueletos de seus tripulantes que ali sucumbiram, em conseqüência das perigosas condições de navegação impostas pela Corrente de Benguela) onde, surpreendentemente, a expedição foi recebida pelo presidente da República da Namíbia.

Na próxima página: A viagem continua...

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