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O quarto livro do navegador Amyr Klink trata de mais uma viagem inédita em sua vida: a circunavegação do continente antártico em solitário. Uma volta de cinco meses por lugares raramente visitados, como a Geórgia do Sul. Mais do que uma curiosidade obsessiva, o que parece levar Klink ao (a)mar é uma convicção interior.
“Mar Sem Fim” merecia não ter fim. Klink mostra, em todas as palavras que escreveu, porque faz o que faz. Excelente navegador e escritor, consegue algo nobre. Realiza a rota mais curta em torno da Terra e ainda esbanja simplicidade poética, desde a primeira frase de cada capítulo, típica de quem leu muito.
Logo no início do livro/jornada antártica, Amyr diz que o quanto mais rápido cair fora dali, melhor. Indicando que se tratava de um sonho com desejo de um ponto final. Sabiamente, ele atrai o leitor atento contando como é o trabalho de navegação. Descreve sua vida cotidiana a bordo, as saudades da família e o encontro com seus únicos cúmplices: os pássaros, os ventos, as ondas...
Amyr Klink, por ter passado por tanto aperto em suas expedições, já tem o seu lugar ao sol merecidamente guardado. Como os marujos de antigamente, ele sabe bem contar uma história muito boa. Não é à toa que se tornou um dos autores brasileiros mais lidos neste ano. Só nos resta desvendar um mistério: Amyr Klink tomou ou não a champanhe?
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